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Diário no Hospital - Dia 1/?




Um dia de uma consulta, porque o joelho estava inchado e já sabíamos que tinha líquido. 

Aconselharam o ortopedista pediátrico, depois de a ir buscar ao colégio, fomos para o Hospital ter a consulta de Ortopedia pediátrica. 

Maria Francisca, super bem disposta. Assim que entra no consultório o médico , olha para o joelho e diz: " Isso continua com líquido!" . Vou chamar a minha colega. Entra a colega, que olha para o joelho e diz " Sim, e melhor tirarmos já isso. Pronto mãe, ela vai ficar cá internada. A que horas ela comeu? Vou tratar de tudo para o internamento!" 

E assim, eu, que estava acordada desde as 5 da manhã fiquei como barata tonta a tentar assimilar a informação, as incertezas, o que ía acontecer. 

Até que te dizem, que a anestesia é geral e que uma vez que vão abrir, vão tirar tudo. O líquido pode estar infetado e a destruir as articulações e o osso. E mais informação não existe, só depois dos resultados das análises ao dito líquido. 

Ali ficas, horas, porque o bloco é às 21h, porque tens que ir para o quarto, e tens que explicar a uma criança com dois anos, que vamos passear de cama e vamos vestir uma bata de Sra. Dra. 

Aqui, quando te apercebes que eles se apercebem de tudo, e são tão corajosos... Com um sorriso nos lábios, na brincadeira... 
Até que sabe que algo está para acontecer quando vê a minha mãe entrar pela porta e diz " Avó o que estás aqui a fazer?!. " . 

Está na hora de ir para o bloco, vai ao meu colo. Eu vou com ela para dentro do bloco, até a anestesia fazer efeito...
Há coisas que não têm descrição possível ... 
Só quem passa por elas consegue sentir. Ter que deixar a minha filha, ali adormecida, numa sala cheia de maquinas , de pessoas, naquela maca de metal... É no mínimo tenebroso. 

Resta-me aguardar... Dizem que te enviam um SMS quando terminar a cirurgia para correres para o bloco, para ela te ver no recobro. 

Recebes o SMS, ela está a chorar de dores, com olhar perdido ainda da anestesia e só sossega quando me encosto a ela... 





Estamos para lá da meia-noite. 
A minha filha está anestesiada ainda, eu não consigo dormir. E recuso-me a ir fazer pesquisas em motores de busca de hipóteses sobre o que ela pode ter. 

Amanhã é outro dia, uma hora de cada vez. Se tudo correr bem no máximo em 5 dias estamos em casa. 

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