Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Tenho que dizer...Esta vida é mesmo uma grande "Filha-da-Mãe"

Hoje é um dia triste, mas o que me assusta mais é que existem todos os dias, milhares de dias tristes para tantas pessoas. O mundo é injusto, tem o bom e mau. Tem o pior e o melhor, e na correria destes tempos aquilo que fazemos é a correr. Vemos, ouvimos, podemos até sentir por momentos, mas depois a vida continua ...a correr. Quando me mudei para Lisboa, vim viver para a casa da minha Avó "Uja", o mesmo sítio onde o meu bisavô materno viveu, assim como todas as gerações seguintes. Até hoje, aos meus filhos, os meus sobrinhos, os meus tios, as minhas primas, os meus pais. Vivemos todos aqui, na Cruz-Quebrada. Esta é a nosso sitio, é a nossa casa. Neste sitio, aqui mesmo à beira-rio, há uma Sociedade chamada S.I.M.E.Q., quase todos os miúdos que cá moram, ou nascem vêm para cá jogar. O desporto Rei é o Basket. Foi aqui que a minha mãe jogou até eu existir, os meus tios, e agora a minha prima joga. A minha Francisca, assim que vê as primas ...

Diário de hospital - dia 7/?

Começam a ser muitos...  Começamos a sentir que isto faz parte, o que não é nada bom.  Temos consulta de reumatologia para avaliar o estado da Francisca.  A febre ainda não voltou desde ontem à noite.  Temos que tomar banho todas em plástico. A Francisca adora.  A médica chegou já ao final da tarde, e começa a avaliar... E descobre que a Francisca além dos joelhos, também tem os cotovelos com líquido.  Não podemos fazer nada, a não ser aguardar... São mais quatro semanas para voltarmos a análises, exames ...   Não há diagnóstico, e não há justificação para tudo este cenário.  Quando pensas que estás mal, lembrem-se que podem sempre ficar pior.  Mas nós continuamos a brincar, temos que brincar.  Fazemos pulseiras, colares, tiaras como a princesa Sofia.  

Diário no Hospital - Dia 6/?

É o sexto dia!  De tanto hospital a Francisca só quer brincar aos médicos.  Não há notícias... Nem desenvolvimentos.  A febre continua...  Amanhã é o dia de consulta com a Reumatologista.  O dia correu normal, com febre , a visita da família. Fui ao bar... Apanhei ar.  Ao final da tarde, aproveitando que o pai estava no hospital, fui jantar ainda era dia ao refeitório, demorei mais que o costume... Uns 15 minutos.  Quando entro no quarto, estava a médica que a operou com cara séria e já a falar, só ouço : " ... ninguém encontra o motivo da infecção, a única alternativa mantendo os sinais de infecção é voltar ao bloco... Sei que aos pais pode assustar, mas não existindo motivo para a febre, temos que voltar ao inicio."  Ficas sem tapete. Sem chão. E a patinar.  Mas que raio é isto, que parece que estás a cair de uma montanha à mais de uma semana.  Levantas a cabeça e a Fran pergunta : "Porque é que está aqui a Dra? O que está a dizer?" Re...

Diário no hospital - dia 5/?

Estamos no quinto dia, já devíamos ter tido alta.  A febre está cá e não dá folga.  Entraram uns pediatras pelo quarto dentro, para avaliar a Francisca e tentar perceber se existia outro foco para a febre.  Ouvidos, garganta... Nada.  Virose já tinha tempo para passar... Seguem as doenças de países tropicais, brucelose... Tuberculose... Tudo doenças que nem nos passam pela cabeça, mas que existem.   Mais análises ...  A Fran desde que esteja sem febre está super bem disposta, já só quer brincar, temos que arranjar jogos para conseguirmos entreter os bebés tanto tempo no hospital. Hoje foi bolas de sabão.. Damos longos passeios pelos corredores do hospital. Só podemos andar no "nosso" piso.  Já conhecemos os enfermeiros todos, as Sras. do refeitório , não isto não é bonito de saber. O mano J. já é o bebé simpático que corre por estes corredores. 

Diário de hospital - dia 4/?

Quarto dia.  Vamos fazer ecografia logo pela manhã bem cedo... dão-nos uma cadeira de rodas "gira", que Fran adorou. Já podemos sair do quarto e ter alguma mobilidade, pelo menos até à sala dos brinquedos.  Vemos pessoas a entrar e a sair e nós continuamos aqui.  Aí vou eu, para a ecografia ao joelho "bom", ( a rezar para que não tenha o dito líquido). E fomos ...  É nesta altura, em que estás um "trapo" por dentro a super feliz por fora, porque nada pode passar para o nosso bébé que está ali tão forte.  E perguntas durante a "fotografia" (foi assim que expliquei à Francisca o que era o exame, ela estava cheia de medo ao médico):  - Dr. O joelho tem líquido?  - Este também tem.  Tens ali, dois segundos para pousar a cabeça na maca, barafustar para dentro, e voltares a erguer a cabeça com um sorriso.  Sais, voltas para o elevador. O meu pai chega entretanto. ( Graças a deus!) Sabes que hoje ainda vais ter que fazer análises e ir ao oftomologis...

Diário no hospital - dia 3/?

Terceiro dia.  Reviravolta.  De madrugada começou a febre, ardia e não a largava. Mesmo com brufen e benuron.  De 5 em 5, horas aí esteve ela a baralhar o esquema.  A Fran está completamente em baixo.  Nao quer ninguem, nem nada. Mesmo com a visita dos tios, das primas ...    A febre não passa.  Chega uma das Médicas que a operou, vai examinar novamente o joelho, está tudo bem.  Mas ao ver o joelho bom, vê que esse inchou ainda mais ( É a altura em que pensas que isto está tudo ao contrário).  Pedem-te mais análises, mais ecografias para confirmar se o joelho "bom" também tem líquido.  Ficas na agonia.  A Febre não dá sinal de tréguas . Não sabem, nem existe nenhuma justificação para a febre.  Voltas a interiorizar que é uma hora de cada vez.  Amanhã de manhã é outro dia, mais exames.  Entretanto, tens o teu outro bébé, que fica contigo no hospital durante o dia ( ele também precisa de mim). 

Diário no hospital - Dia 2/?

Segundo dia.  A Francisca está com dores. Não está muito bem disposta, mas foi operada. Tem uma perna com gesso, uma mão imobilizada pelo cateter ( é a super mão).  Está a estranhar o ambiente, eu estou zombie.  Porta-se super bem com toda a medicação que lhe dão, não quer comer.  Vamos aguardando resultados de análises.  Temos visitas de uma das médicas que a operou. O outro joelho causa-lhe dúvidas que possa também estar inchada- é preciso fazer uma ecografia ao joelho bom.  Existe também  uma infecção nas análises, mas que podem ser normais.  Ainda não deixa ninguém ver a perna doente. Não se habituou. Continuamos sem diagnóstico certo.  E um dia de cada vez.  Não podemos "cair" nem absorver o medo da incerteza.